

Charles Darwin, tinha-se recentemente matriculado na Universidade de Cambridge, no curso de Artes, que lhe permitiria envergar por uma vida eclesiástica. No entanto, passava grande parte do seu tempo passear, a ler livros de história natural e a coleccionar escaravelhos.
Coleópteros
Colecção Sul Americana Braga Júnior
MHN.FCUP
Nesta altura, o seu tutor - o Professor Henslow- sugeriu-lhe que fizesse a sua primeira expedição, pelo que propôs as ilhas Canárias. Após conseguir a permissão do seu pai, e contando com o seu amigo Marmaduke Ramsey como acompanhante na viagem, Charles Darwin começou a frequentar as aulas de Geologia do Professor Adam Segwick. “Fui levando a prestar muita atenção a vários ramos da história natural, e deste modo os meus poderes de observação melhoraram”, disse Darwin O seu interesse pela Geologia foi crescendo, mas os seus sonhos de viagem ficaram por terra aquando da morte inesperada do seu amigo e companheiro de viagem.
Mal sabia Darwin que estavam a ser feitos planos para ele integrar uma viagem à volta do Mundo... Na tarde de 29 de Agosto de 1831 recebe uma carta do Reverendo John Henslow, convidando-o para ser o naturalista abordo do HMS Beagle, numa viagem que duraria cerca de 2 anos pela América do Sul, e que iria iniciar-se no dia 25 de Setembro. A primeira paragem: Ilhas Canárias!
Mas tal novidade não foi bem recebida pela sua família. O seu pai - Robert Darwin- viu essa viagem como mais uma das “aventuras sem consequências” de Darwin. E, para além disso, esta viagem iria acabar com o sonho do pai de ver o filho envergar pela carreira eclesiástica. No entanto, esta recusa não foi determinante; Robert disse a seu filho que, caso encontrasse uma pessoa com bom senso e que o convencesse que a sua viagem era uma boa ideia, então deixava-o ir.
Darwin concluiu facilmente que ninguém mais que o seu tio Josiah (irmão da sua mãe), para convencer o seu pai da sua ida na expedição. O seu tio Josiah, escreveu então uma carta a seu pai, pelo que este aceitou os argumentos expostos pelo tio e não fez nenhum reparo a que o filho viajasse no Beagle. Charles partiu imediatamente para Cambridge, mas ao chegar lá teve outra má notícia.
Na manhã de 2 de Setembro de 1831, quando ia falar com o Rev. Henslow, apercebeu-se que o capitão do navio - o capitão FitzRoy da Armada Real- tinha já seleccionado outro naturalista para a viagem. Quando tudo já parecia estar perdido, Darwin decidiu ir falar com Fitz-Roy, que lhe diz que o seu convidado tinha recusado o convite e que o lugar ficaria disponível para Darwin.
Darwin, sem tempo a perder, procurou em Londres os diversos instrumentos que necessitara: telecópios, instrumentos de medição, soluções para preservação de espécimes, e até espingardas!
Após ter ficado íntimo de FitzRoy, ouvi dizer que corri um grande risco de ser rejeitado [enquanto naturalista no Beagle], pela forma do meu nariz! FitzRoy era um discípulo aceso do Lavater, e estava convencido que podia julgar o carácter de uma pessoa pelas suas feições; e ele duvidava que alguém com um nariz como o meu tivesse energia suficiente e determinação para a expedição. Mas penso que ficou satisfeito em saber que a forma do meu nariz se revelou falsa.
Charles Darwin
Darwin acompanhou FitzRoy na inspecção do navio, em Setembro de 1831, e teve mais más notícias. O navio não estava de todo pronto e a viagem teria de ser adiada pelo menos um mês. Depois, o tempo de viagem teria sido estendido para três anos. Mas, mais ainda, Darwin ficou chocado com a pequena dimensão do navio – como um navio tão pequeno poderia abraçar 74 homens pelo mundo fora?